SEGURO AUTOMÓVEL CONTRA TODOS OS RISCOS. VERDADE OU MENTIRA?

todos os riscos

No ramo dos seguros de automóveis, existem duas opções de seguro – o clássico e obrigatório seguro automóvel de responsabilidade civil, também designado por seguro contra terceiros, e o seguro automóvel “contra todos os riscos” ou, oficialmente, seguro automóvel de danos próprios. Hoje vamos tratar do segundo.

De facto, o seguro automóvel “contra todos os riscos” atribui ao segurado uma maior cobertura do que o seguro de responsabilidade civil.

Contudo cobrirá efetivamente todos os danos? Não, a premissa é FALSA e a WIBNET explica-lhe porquê.

Embora se mencione, frequentemente, cobertura “contra todos os riscos”, a Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) sublinha a inexistência de um seguro que cubra todos os riscos.

Para uma total transparência sobre este assunto, a expressão popular “contra todos os riscos”, não é permitida na comercialização de seguros em Portugal, desde 2010, e é qualificada como publicidade enganosa.

Se está realmente interessado num seguro com uma cobertura excecional, procure por: “seguro de danos próprios”.

SEGURO DE DANOS PRÓPRIOS – O QUE COBRE?

Para começar, a cobertura de qualquer seguro depende do pretendido pelo cliente e as cláusulas acordadas entre este e a seguradora (inclusive a franquia, que explicaremos já de seguida!).

Considera-se que a designação se refere ao tipo de seguros que cobrem os danos no próprio veículo, nas situações em que a responsabilidade é imputada ao próprio segurado.

Não sendo possível uma enumeração absoluta das coberturas disponíveis pelos seguros de danos próprios, podemos listar as 10 mais comuns:

Choque, Colisão ou Capotamento;
Incêndio, Raio e Explosão;
Furto ou Roubo;
Quebra isolada de vidros;
Greves, Tumultos e Alterações da Ordem Pública;
Perda Total;
Veículo de Substituição.
Atos de Vandalismo;
Atos de Terrorismo.
Garantia do Valor em Novo.
Não se podendo enquadrar nas coberturas de Danos Próprios, a Assistência em Viagem, a Proteção Jurídica e os Acidentes Pessoais para Todos os Ocupantes, são coberturas que devem estar sempre subscritas no seu seguro automóvel.

SEGURO DE AUTOMÓVEL – COM OU SEM FRANQUIA?

O valor da franquia traduz-se no valor que é deduzido à indemnização total devida ao segurado pela seguradora.

A maior parte dos seguros automóveis com danos próprios apresenta franquia, o que se traduz numa diminuição do seu preço.

No caso de um seguro de danos próprios sem franquia (franquia 0%), o segurador é responsável pelo pagamento da totalidade da reparação, dos eventuais danos que a viatura do segurado possa sofrer.

Por norma, os seguradores só aceitam franquia zero, nos seguros de veículos novos ou até 3 anos.

Existem exceções, mas terão que ser devidamente negociadas com a seguradora. O ideal é ter um mediador de seguros para intervir nesta situação.

Note-se o seguinte cenário:

Um veículo com o valor seguro de 30.000 € sofre danos equivalentes a 3.000 €;
Seguro sem franquia (franquia 0%) – em caso de acionamento do seguro automóvel, o segurador indemniza o segurado na totalidade do valor do arranjo dos respetivos danos, sem qualquer dedução (o segurador paga 3.000 € e o segurado paga 0 €);
Seguro com franquia (franquia 4%) – em caso de acionamento do seguro automóvel, o segurado terá que suportar 1.200 € (4% da franquia aplicada ao valor seguro) e o segurador indemniza o segurado pelo restante valor acima da franquia, neste caso 1.800 €.
Em acréscimo, caso os danos correspondam a um valor inferior a 1.200€, o segurado não terá interesse em acionar o seguro, pois não terá direito a indemnização e provocará o agravamento do prémio de seguro (o custo do seguro) por sinistralidade.

SEGURO AUTOMÓVEL “CONTRA TODOS OS RISCOS” OU “CONTRA TERCEIROS” – COMO OPTAR?

Na realidade, apenas o seguro automóvel de responsabilidade civil (seguro automóvel contra terceiros) é obrigatório por lei e é, comparativamente ao seguro automóvel “contra todos os riscos”, bastante mais barato.

Ainda assim, a cobertura extensiva do seguro automóvel de danos próprios é indicada para os compradores de novos veículos ou para os condutores mais cautelosos na salvaguarda do seu património.

Em caso de interesse num seguro automóvel mais abrangente, por motivo de uma situação excecional, como uma viagem de longo curso, saiba que é possível optar por um seguro automóvel temporário.

Contudo, por norma, as seguradoras não publicitam este tipo de serviço, mas existe a possibilidade de subscrição do mesmo, bastando para isso, contactar o mediador de seguros ou mesmo, diretamente com a seguradora.

Peça sempre uma simulação, em conformidade com as condições pretendidas por si, e não espere que o preço seja “low cost”…

Em conclusão, a existência de um seguro automóvel contra todos os riscos é de facto um mito, pelas razões que apresentámos, e a utilização sem critério da expressão pode levar ao engano do cliente.

E você, já se sentiu enganado devido à expressão “seguro contra todos os riscos”? Costuma utilizar esta expressão apesar de saber que está errada?

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